Cerca de 14 milhões de pessoas convivem com a fome no País e mais de 72 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar - ou seja, dois em cada cinco brasileiros não têm garantia de acesso à alimentação em quantidade, qualidade e regularidade suficiente. As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte de uma pesquisa inédita no País sobre segurança alimentar.

A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar revela um cenário perverso para os domicílios com crianças e aqueles que se declararam pretos ou pardos. Em todo o País, metade dos meninos e meninas até os 4 anos de idade encontra-se em situação de risco alimentar leve, moderado ou grave. No nível mais baixo da tabela, há 1,5 milhão de crianças convivendo com a falta de alimentos, número que representa 10,3% da população brasileira nesta faixa etária.

Nas regiões Norte e Nordeste do País, a situação é ainda pior, com cerca de 17% das crianças com menos de 5 anos de idade em situação de insegurança alimentar grave, em comparação com os 5,3% no Sul e Sudeste e 5,7% no Centro-Oeste.
Dos 13,9 milhões de brasileiros que vivem de perto a realidade da fome, mais de 10 milhões são pretos ou pardos (72,4%), uma diferença significativa diante dos 3,8 milhões que se declararam brancos (27,3%) e sofrem com a falta de alimentos.

Enquanto para a população negra a proporção dos que não têm nenhum tipo de preocupação com alimentação nem sequer atinge a metade (47,7%), para os brancos o índice de segurança total chega a 72%.
Três em cada quatro pessoas que convivem com a fome moram em domicílios onde a renda per capita mensal não ultrapassa meio salário mínimo, o equivalente a R$ 4,30 por dia. O número de moradores também representa forte impacto.

Enquanto a proporção de moradias com insuficiência moderada ou grave situa-se em um nível próximo a 15% nos domicílios com até três pessoas, nas residências com sete ou mais chegou a 42,8%.
Nos domicílios com pelo menos um morador com menos de 18 anos, a proporção de mulheres em situação de insegurança alimentar moderada ou grave chegou a 28,4%, ante 19,8% para os homens.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=337435


 

 

 

 

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